Corpos Noturnos

"No torpor da noite, o bronze da luz se dilui com as imagens. Neste tempo pouco, o michê flerta com seu próximo segundo, tentando seduzir mais um cliente. O brilho do carro, noir, remete a tempos passados, ou quem sabe cria memórias ao fecundar o presente.


A fotógrafa Ana Mokarzel, administradora por formação, consultora respeitada na área de recursos humanos, reencontra a fotografia, que conheceu ainda criança. A lembrança do pai lhe vem à memória. Ele ensinou as primeiras lições da escrita com a luz, como um mestre que segura a mão do discípulo no capricho das letras. O envolvimento foi inevitável. Ana passou a se dedicar cada vez mais à fotografia e, sem abandonar o trabalho original, agrega este novo universo a ele. Dinâmica, não se permite limites. Curiosa com a nova janela aberta, Ana se debruça e cai, como Alice no País das Maravilhas. E nos convida a viagens por mundos esquecidos e imaginários repletos de personagens instigantes que poucas pessoas sabem perceber.
Paulo Santos


Este trabalho é parte da série feita com travestis nas ruas noturnas de Belém, onde o único acordo é que seus rostos não fossem revelados. Assim, entre luzes e cores, corpos se movimentam em total clandestinidade. Nada se revela, tudo parece devasso. Rostos encobertos pela privacidade, corpos expostos pela arte de viver. Sexo: indefinido; Cor: indiscriminada. Elas? Na flor da idade ou idade vencida. Vale tudo!!! Tudo é permitido no mundo cruel ou prazeroso do sexo.